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X SEMINÁRIO PEDAGÓGICO

“A excelência numa universidade de investigação reside na capacidade de transformar os estudantes de espectadores em participantesˮ  –

– Defende ex-Ministra da Educação e Ciência da República Portuguesa, Prof.ª Doutora Margarida Mano

Uma universidade de investigação só alcança a excelência quando deixa de formar estudantes como meros receptores de conhecimento e passa a envolvê-los, activamente, na investigação, na reflexão crítica e na produção científica. Esta foi a principal mensagem deixada pela investigadora da Universidade Católica Portuguesa, Prof.ª Doutora Margarida Mano, na aula inaugural do X Seminário Pedagógico da Universidade Eduardo Mondlane (UEM), realizada esta Quarta-feira (2), sob o tema “Excelência Educacional no Ensino Superiorˮ.

Doutorada em Gestão pela Universidade de Southampton (Reino Unido), a Prof.ª Doutora Margarida Mano, dentre vários cargos, foi ex-Ministra da Educação e Ciência da República Portuguesa e ex-Deputada da Assembleia da República.

Na sua intervenção, a especialista defendeu que a investigação deve ocupar um lugar central no processo de ensino e aprendizagem, permitindo aos estudantes desenvolver competências de análise, argumentação e escrita científica a partir das suas próprias experiências de investigação. “A excelência numa universidade de investigação reside na capacidade de transformar os estudantes de meros espectadores em participantes activos do processo de produção do conhecimentoˮ, afirmou.

Segundo Margarida Mano, o conhecimento produzido pelas universidades só cumpre plenamente a sua missão quando é colocado ao serviço da formação das novas gerações e da resolução dos desafios da sociedade. “A excelência não é um estado que se alcança; é um projecto permanente e uma cultura que exige coerência, compromisso e constância de propósitoˮ, sublinhou.

Ao abordar o impacto da Inteligência Artificial no ensino superior, a investigadora alertou que a velocidade da sua adopção tem superado a capacidade das instituições para definirem normas e práticas que garantam uma utilização responsável.

Na sua perspectiva, a IA representa uma oportunidade para enriquecer o ensino e a investigação, mas exige uma abordagem ética que preserve o pensamento crítico, a autonomia intelectual e a integridade académica. Citando recomendações da UNESCO, defendeu que “docentes e estudantes devem obedecer a critérios éticos, compreender limites, avaliar o processo de aprendizagem e de pensamento crítico, e não apenas o produto final”

Na abertura do seminário, o Reitor da UEM, Prof. Doutor Manuel Guilherme Júnior, afirmou que a transformação da Universidade numa instituição cada vez mais orientada para a investigação depende da capacidade de promover uma cultura de qualidade, inovação e internacionalização.

Segundo o Reitor, as universidades enfrentam, hoje, o desafio de responder às profundas mudanças provocadas pela transformação digital e pela Inteligência Artificial, sem perder de vista a sua missão essencial de formar cidadãos críticos, criativos, eticamente responsáveis e comprometidos com o desenvolvimento sustentável. “Estas ferramentas oferecem oportunidades extraordinárias para ampliar o acesso ao conhecimento, personalizar a aprendizagem, fortalecer a investigação científica e promover maior eficiência académica e administrativa”, afirmou.

O X Seminário Pedagógico da UEM, que decorreu de 1 a 3 de Julho sob o lema “UEM: Percurso e Perspectivas para a Excelência Educacional numa Universidade de Investigaçãoˮ, reuniu docentes, investigadores, estudantes e especialistas nacionais e estrangeiros para reflectir sobre a qualidade do ensino, a inovação pedagógica e os desafios que se colocam ao ensino superior num contexto de rápida transformação científica e tecnológica.

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