Representantes dos cursos de pós-graduação da Universidade Eduardo Mondlane (UEM) estiveram reunidos na Quarta-feira, no Campus Principal, num workshop sobre a proposta do Guião de Supervisão da Pós-Graduação, com a finalidade de harmonizar as práticas de supervisão dos cursos ministrados na instituição, bem como estabelecer balizas para a relação entre supervisores e supervisionados.
O objectivo é garantir um melhor alinhamento dos processos, fortalecendo a investigação científica e a produção de dissertações e teses na Universidade Eduardo Mondlane.
A realização deste workshop, promovido pelo Gabinete para a Qualidade Académica e Estudos Institucionais (GaPQEI), enquadra-se nos esforços da UEM visando a criação de condições institucionais para que os estudantes desenvolvam investigações criteriosas e sustentadas em metodologias sólidas, em consonância com a visão e missão da instituição de se afirmar como Universidade de Investigação (UdI).
Segundo o coordenador do workshop, Prof. Doutor Orlando Nipassa, este propósito passa pela capacitação dos intervenientes no processo de supervisão, de modo a alcançar resultados mais robustos na investigação científica, que possam servir de base para a publicação de artigos científicos decorrentes das pesquisas realizadas nos níveis de mestrado e doutoramento na UEM.
Durante o debate inicial, foram levantadas várias questões éticas, nomeadamente os limites da actuação do supervisor no processo de supervisão, os mecanismos de resolução de conflitos e, sobretudo, os desafios de orientar estudantes trabalhadores. “Na verdade, a maior parte dos estudantes da pós-graduação são trabalhadores e, por isso, não se dedicam aos estudos a tempo inteiro. Como supervisionar nestas condições? Qual é a carga de trabalho que um supervisor pode recomendar a este tipo de estudantes? Estas são algumas das questões que temos de debater”, explicou.
Por exemplo, a proposta do Guião de Supervisão da Pós-Graduação, actualmente em debate, prevê que o processo de supervisão tenha início nos primeiros seis meses do curso. Contudo, alguns participantes contestam esta proposta, alegando que, nessa fase, os estudantes ainda não possuem todos os créditos académicos requeridos.
Por sua vez, o Prof. Doutor Arão Manhique, da Faculdade de Ciências, defende uma abordagem mais cautelosa, atendendo às especificidades de cada curso. No entanto, ressalva que, nos cursos vocacionados para a investigação, os estudantes devem ser envolvidos em actividades de investigação desde as fases iniciais da sua formação.
Na sequência dos trabalhos, os representantes dos cursos foram organizados em equipas compostas por cinco elementos cada, para um exercício mais aprofundado de análise da proposta do Guião de Supervisão da Pós-Graduação. O objectivo é acomodar as diferentes preocupações apresentadas e produzir, no final, um documento mais prático, funcional e ajustado à realidade dos cursos de pós-graduação da Universidade Eduardo Mondlane.

