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Plantações de café ajudam a restaurar biodiversidade na Serra da Gorongosa

As plantações de café introduzidas no interior do Parque Nacional da Gorongosa estão a contribuir para a recuperação da biodiversidade e para a redução das áreas degradadas na Serra da Gorongosa, indica um estudo apresentado no âmbito das jornadas científicas da Faculdade de Agronomia e Engenharia Florestal (FAEF).

Intitulado “O Efeito do Sistema Agroflorestal de Café na Restauração de Áreas Degradadas na Serra da Gorongosa”, o estudo é da autoria da investigadora Carina Jeny Carlos, da FAEF, e procurou avaliar o contributo do sistema agroflorestal de produção de café na recuperação de áreas degradadas naquela região.

A Serra da Gorongosa possui uma área de cerca de 13 mil hectares. Segundo o estudo, pesquisas realizadas entre 2010 e 2015 registaram um crescimento das áreas degradadas estimado em cerca de 317 hectares por ano.

Com a introdução do sistema agroflorestal de produção de café, entretanto, a tendência de degradação terá registado uma redução, passando para cerca de 293 hectares por ano, contribuindo para a recuperação da biodiversidade na região.

Para avaliar os efeitos deste sistema, foram seleccionadas áreas com e sem plantações de café, tendo como referência indicadores biológicos e físicos de degradação.

A investigação incluiu a identificação e contagem das espécies arbóreas nativas, bem como a medição da altura e do diâmetro das árvores em cada transecto. Posteriormente, foram realizadas análises comparativas da riqueza, abundância, diversidade e equitabilidade das espécies existentes nas duas áreas.

Os resultados mostram que as áreas onde existe o sistema agroflorestal de café apresentam maior riqueza e diversidade de espécies quando comparadas com as áreas sem este sistema.

Segundo os dados apresentados no estudo, foram identificadas 21 espécies nas áreas com sistemas de arborização de café, contra 9 espécies nas áreas sem o sistema.

O índice de diversidade também foi superior nas áreas com plantações de café, atingindo 2,502, contra 1,040 registado nas áreas sem o sistema de café.

Os resultados sugerem, assim, que a adopção de sistemas agroflorestais de produção de café pode desempenhar um papel importante na recuperação de áreas degradadas e na conservação da biodiversidade na Serra da Gorongosa.

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