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Mesa Redonda Dos 50 Anos Da Uem:Mudança do nome impulsionou transformação do Sistema Nacional de Educação

defendem painelistas

 Os painelistas da Mesa Redonda alusiva aos 50 anos da atribuição do nome “Universidade Eduardo Mondlane” defendem que a mudança da designação da Instituição trouxe ganhos significativos para o país e impulsionou profundas transformações no Sistema Nacional de Educação.

No geral, consideram que a atribuição do nome “Universidade Eduardo Mondlane” cumpriu os seus propósitos porquanto as decisões que se seguiram à nova designação alteraram pela positiva a dinâmica de formação de quadros no país, com realce para a ampliação do acesso dos moçambicanos ao ensino superior.

O escritor moçambicano Luís Bernardo Honwana, lembrou que a atribuição do nome “Eduardo Mondlane” a esta universidade marcou um momento de profunda transformação institucional, passando a instituição a responder, directamente, aos interesses da Revolução, sobretudo na formação de quadros moçambicanos. “Naquela altura, o Centro de Estudos Africanos (CEA) era o pivô que devia fertilizar e dinamizar esse processo transformativo, e muitos intelectuais da FRELIMO vieram dar o seu contributo”, afirmou.

Num contexto marcado por limitações internas de mão-de-obra qualificada, os intelectuais estrangeiros provenientes de países amigos foram decisivos para garantir a qualidade de serviços em muitas instituições, incluindo a Universidade.

Segundo Honwana, a integração desses especialistas contribuiu para elevar o nível do debate académico interno e fortalecer o pensamento crítico, permitindo que o país acompanhasse os debates internacionais em diversas áreas, desde a economia até à política. “Lembro-me da parceria que Aquino de Bragança mantinha com uma revista publicada na Argélia, que dava voz ao movimento afro-asiático em várias áreas, incorporando os ideais de combate ao neocolonialismo. Por isso, o ensino ministrado na Universidade também devia reflectir essas posições”, disse.

Por sua vez, o antigo Reitor da UEM, Narciso Matos, destacou três ganhos imediatos decorrentes da nova designação da Universidade. O primeiro foi a criação dos cursos propedêuticos, iniciativa que abriu as portas da Universidade a muitos moçambicanos, permitindo o ingresso de jovens e adultos que anteriormente não tinham acesso ao ensino superior. O segundo ganho foi a criação do Instituto de Formação de Professores, numa altura em que o país enfrentava uma grave carência de docentes. Segundo Matos, a Universidade não podia se limitarà formação interna de quadros, devendo, igualmente, contribuir para a formação de professores para os diferentes níveis do sistema nacional de ensino.

Recordou, igualmente, o papel desempenhado pela Faculdade de Educação nesse processo, função posteriormente assumida pela Universidade Pedagógica. “Mas a concepção e produção dos conteúdos que eram ensinados nas escolas primárias e secundárias de todo o sistema de ensino constituíram uma resposta concreta da Universidade aos desafios do país, no contexto da sua nova designação”, referiu.

O terceiro ganho apontado foi a abertura da Universidade à sociedade, simbolizada pelas chamadas Actividades de Junho (AJUs). “Foi a primeira vez que estudantes saíram da Universidade e foram enviados para locais que muitos nem imaginavam existir, sem estradas nem infra-estruturas convencionais. Ainda assim, docentes e estudantes tinham de trabalhar nesses locais durante um mês. Muitos entraram em choque”, relatou.

Entretanto, o académico e combatente da Luta de Libertação Nacional, Óscar Monteiro, que testemunhou os encontros que culminaram com a mudança da designação de Universidade de Lourenço Marques para Universidade Eduardo Mondlane, considerou que, ao longo dos últimos 50 anos, a UEM se manteve como um dos principais reservatórios do pensamento crítico nacional.

Apesar disso, alertou para os riscos da excessiva proximidade entre a Universidade e o poder político, situação que, segundo defende, pode comprometer a integridade da Instituição.

Para Óscar Monteiro, a Universidade Eduardo Mondlane deve continuar a apoiar o desenvolvimento do país, através da formação, investigação e produção de conhecimento, preservando, contudo, a sua independência e integridade intelectual.

Os intervenientes participaram na mesa redonda subordinada ao tema: UEM celebrando 50 anos da atribuição do nome “Eduardo Mondlane”: um olhar sobre o passado para perspectivar o futuro.

Na ocasião, o Reitor da UEM, Prof. Doutor Manuel Guilherme Júnior, defendeu que a instituição deve continuar a se afirmar como um espaço de pensamento crítico, liberdade académica e inovação.

Segundo o dirigente, a Universidade tem a responsabilidade de formar cidadãos capazes de questionar, propor soluções e actuar com ética, responsabilidade e compromisso social.

Manuel Guilherme Júnior sublinhou ainda que, cinco décadas depois da mudança de designação, a UEM deve reforçar o seu compromisso com a sociedade moçambicana, contribuindo, activamente, para o desenvolvimento sustentável do país. “Isso implica não apenas formar profissionais qualificados, mas também promover a inclusão, a equidade e a justiça social”, concluiu.

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