A Universidade Eduardo Mondlane (UEM) tem desempenhado um papel determinante na formação de quadros especializados em Meteorologia em Moçambique, contribuindo de forma significativa para suprir a necessidade nacional de técnicos nas áreas de clima, hidrologia e serviços meteorológicos. Contudo, apesar dos 37 anos de existência do curso, a produção científica ainda se encontra aquém do desejado.
O posicionamento foi apresentado pelo docente e investigador da UEM, Prof. Doutor Atanásio Manhique, durante uma palestra realizada na Quinta-feira (26/03), no âmbito das celebrações do Dia Mundial da Meteorologia, sob o tema “Contribuição da UEM no Desenvolvimento da Meteorologia em Moçambique e além-fronteiras”.
Segundo o académico, a UEM tem tido um impacto expressivo na capacitação técnica do país. Antes da formação dos primeiros graduados, em 1996, o Instituto Nacional de Meteorologia (INAM) contava com apenas três meteorologistas moçambicanos e quatro estrangeiros. “Actualmente, o Instituto conta com cerca de 40 meteorologistas, todos formados pela UEM, que actuam em diversas áreas, como previsão do tempo, investigação, serviços climáticos, gestão de redes de observação e de dados”, destacou.
Para além da formação, a Universidade tem vindo a afirmar-se no campo da investigação, com mais de uma centena de publicações científicas nas áreas de meteorologia e clima, divulgadas em revistas internacionais com revisão por pares, envolvendo antigos graduados como autores e coautores.
Ainda assim, Manhique considera que o desempenho científico da instituição precisa de ser reforçado. “Esta aposta deve ser acompanhada pela criação de grupos de investigação em áreas específicas, bem como pela participação em programas de pesquisa com colaboração internacional e com instituições nacionais”, defendeu.
O investigador alertou, igualmente, para as assimetrias na produção científica no continente africano, sublinhando que esta se concentra sobretudo em regiões como a África Ocidental e em países como Quénia, Etiópia e África do Sul, enquanto outras regiões, incluindo Moçambique, ainda enfrentam limitações. “A distribuição regional da produção científica revela um cenário pouco animador para Moçambique”, o que exige uma aposta estratégica mais consistente na investigação.
Apesar dos desafios, a UEM continua a consolidar o seu papel como pilar no desenvolvimento da Meteorologia em Moçambique e na região, num contexto em que as questões climáticas assumem crescente relevância global e exigem respostas baseadas em conhecimento científico sólido.

