– Investigador da University of Kansas alerta para valorização da cultura africana no mundo
O investigador da University of Kansas, Prof. Doutor Luciano Tosta, destacou Salvador, capital da Bahia, no nordeste do Brasil, como uma ponte cultural entre a África e o mundo. Segundo o estudioso, a cidade funciona como repositório vivo da memória cultural, intelectual e musical do continente africano, preservando, transmitindo e valorizando suas múltiplas manifestações.
Durante a palestra de abertura do Ano Académico na Escola de Comunicação e Artes da UEM, intitulada “A Reinvenção da Africanidade: Diálogos entre Salvador (Brasil) e Outras Áfricas”, Tosta afirmou que, Salvador, não é apenas um ponto periférico na disseminação cultural, mas uma força global na construção de narrativas sobre as culturas africanas. “É também espaço crucial para a negociação de identidade e pertença, tornando-se assim arquivo vivo da memória africana, onde a história é preservada, retratada e transmitida”, reforçou.
O investigador alertou para a necessidade de compreender a África como um continente global, presente não apenas em Salvador, mas em cidades de todo o mundo, com um papel significativo na formação de identidades culturais e educativas. Citando o intelectual Abdias de Nascimento, Tosta destacou que “nunca fomos ensinados uma disciplina que revelasse qualquer apreço ou respeito pelas culturas, artes, idiomas, sistemas políticos ou económicos ou religiões da África”.
Luciano Tosta enfatizou ainda os obstáculos enfrentados pelos afro-brasileiros no contacto com os seus irmãos no continente e na diáspora, muitas vezes limitados por barreiras económicas e sociais. “Mas nenhum desses obstáculos teve o poder de obliterar completamente de nosso espírito e memória a presença viva da Mãe África”, afirmou, reforçando a resiliência e vitalidade da africanidade.
Encerrando a palestra, Luciano Tosta ressaltou que Salvador e o Brasil produziram sua própria africanidade, conectando-a a outras africanidades pelo mundo. “A africanidade dialoga, influencia e é influenciada. Ao mesmo tempo que mantém o seu carácter que precisa de ser compreendida”, concluiu, destacando o papel da cidade como um verdadeiro arquivo vivo da memória africana.
