No âmbito do projecto COHESION I, investigadores da Faculdade de Medicina da UEM estão a realizar intervenções nos centros de saúde da cidade e província de Maputo com vista a melhorar o controlo da hipertensão arterial, da diabetes e da esquistossomose, bem como aumentar o grau de satisfação dos utentes em relação aos serviços prestados, comparativamente ao actual modelo de cuidados de saúde.
Entre as várias intervenções, destaca-se a implementação do “Cantinho da hipertensão” nas unidades sanitárias, um espaço destinado à medição da pressão arterial e à partilha de informação sobre a doença, com vista a melhorar o grau da sua percepção e conhecimento entre a população.
O projecto também aposta no uso de materiais audiovisuais, panfletos informativos e aparelhos de televisão instalados nas unidades sanitárias para reforçar a sensibilização e o conhecimento dos utentes sobre a hipertensão arterial e a diabetes em Moçambique.
Outra componente importante consiste na formação de “Campeões” (líderes comunitários que serão responsáveis pela educação nutricional e promoção da saúde). Foi ainda feita uma capacitação de provedores de saúde no diagnóstico e tratamento destas patologias.
O COHESION I é um estudo de investigação multicêntrico que envolve países como Moçambique, Peru, Nepal e Índia, com um financiamento do NIHR (National Institute for Health Research) no valor de cerca de 3 milhões e meio de libras esterlinas, no total do projecto, e cerca de 800 mil Libras para o componente Moçambicano. Em Moçambique, o projecto é conduzido pela Faculdade de Medicina da UEM e tem como objectivo avaliar se uma intervenção co-desenhada entre as comunidades e os profissionais de saúde locais pode melhorar o controlo da hipertensão arterial, da diabetes e da esquistossomose.
Segundo o Dr. Valério Govo, investigador da FAMED, numa primeira fase foram seleccionados quatro centros de saúde na cidade e província de Maputo, onde foram realizadas reuniões com profissionais de saúde e membros das comunidades, com o objectivo de identificar as principais barreiras ao diagnóstico e tratamento adequados da hipertensão arterial e diabetes.
Paralelamente, foram analisados os desafios enfrentados pelos doentes e pelas comunidades. Com base nas discussões, foi definido, de forma participativa, um conjunto de intervenções que estão, actualmente, em implementação nesses quatro centros de saúde por um período de um ano. Alem destes quatro centros, outros dois foram escolhidos que funcionarão como centros de comparação para avaliar a eficácia da intervenção.
Por sua vez, o Professor Doutor Albertino Damasceno explicou que os utentes e os profissionais de saúde locais devem assumir um papel central na identificação dos principais constrangimentos para o controlo da hipertensão arterial e diabetes e, em conjunto, com os investigadores da Faculdade de Medicina, propor soluções ajustadas à realidade local.
No passado dia 30 de Abril, teve lugar mais uma reunião de disseminação do projecto, na cidade da Matola, que contou com a participação de profissionais dos centros de saúde envolvidos no projecto e da comunicação social.

